Caminhando e cantando e seguindo… o que mesmo?

Teocracia

s.f. Forma de governo em que os membros da Igreja interpretam as leis e têm autoridade tanto em assuntos cívicos quanto religiosos. A palavra vem do grego theos, que significa Deus, e kratein, que significa governar.

O Irã com certeza é o maior e mais atual exemplo de teocracia atuante entre as nações soberanas. Para entender a contextualização dessa situação é necessário analisar um pouco de história recente. O Irã até então era comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi cujo regime ditatorial oprimia fortemente a população, conforme o índice de educação crescia (detalhe importante) a população começou a questionar o regime, o que acabou gerando um aumento da brutalidade do mesmo. Assim como todo regime ditatorial, quanto mais a população se revoltava, mais extremas ficavam as atitudes do Xá para se manter no poder.

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Incrível como ditadores sempre são mais condecorados que o Rambo.

Mas o realmente interessante é que algumas destas atitudes “extremas” chegam a ser cômicas  justamente por não serem extremas aos olhos ocidentais, duas delas feitas durante a chamada Revolução Branca se sobressaem, a concessão do direito de voto às mulheres e a divisão das terras pertencentes aos líderes religiosos.

Claro que essas atitudes nasceram do desespero em se manter no poder e não da bondade do coração. Porém elas provocaram uma união muito forte das classes pobres, que além de serem grande maioria da população tendiam já tendiam ao extremismo religioso com os aiatolás, que provavelmente não estavam muito contentes com a confiscação de suas casas de praia no mar Cáspio ou com as mulheres “saindo à rua.”

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O segredo para governar o Irã está obviamente nas sobrancelhas.

Houve então a revolução iraniana de 1979, comandada pelo aiatolá alguém me explica como se pronuncia isso Ruhollah Khomeini, que derrubou o Xá do poder e transformou a ditadura em uma teocracia. Não entrarei em detalhes quanto ao que ocorreu, o filme Argo está bombando por aí e com certeza pode proporcionar muito mais entertenimento do que eu posso escrever aqui, vai que é tua Bem Affleck.

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Valeu mesmo aí Pedro!!!

Basta saber que juntamente com as promessas de redistribuição de riqueza e prosperidade entre a população veio o kit básico fanático, proibição dos costumes “ocidentais” como maquiagem, música, jogos, cinema; castigos corporais para quem praticasse sexo fora do casamento, adultério, consumo de álcool e a cereja do bolo, pena de morte para todos os apoiadores do Xá, prostitutas, homossexuais e membros de outras igrejas. Ou seja, nada de orgias regadas de whisky com energético no cinema acompanhado pela noiva maquiada, uma prostituta campeã de pôquer e um anão transexual enquanto passava o horário eleitoral gratuito do Xá. Isso mesmo, sem diversão.

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O Corão não é muito claro quanto às surras de bunda.

Enfim, passaram-se 34 anos desde que isso ocorreu e agora o Irã é um país glorioso e iluminado por Allah… pena que a lâmpada está queimada. Três décadas após o início da teocracia e o páis não apenas não andou para frente como deu alguns pulos para trás. O índice de educação, medido pelo nível de alfabetismo e escolarização, tem caído anualmente, os abismos entre as classes estão cada vez maiores e a brutalidade agora não se limita apenas a polícia secreta, mas também as polícias dos costumes que garantem que os fiéis mantenham sua fé bem abastecida. “Mas Pedro e o presidente?, o Irã teve eleições em 2005 e 2009! Com certeza os Aiatolás não estão mais em controle!”. Errado! De fato o presidente atual, marca da simpatia e Best de nosso ex-presidente Lula, Mahmoud Ahmadinejad detém o poder executivo, mas isso não importa, pois o chefe de estado atual é o Guia Supremo, um aiatolá eleito pelos próprios para um cargo vitalício cuja principal função é comandar as Forças Armadas e escolher a dedo TODOS os outros cargos, com exceção do presidente que apesar de ser escolhido por voto popular, pode ser demitido pelo Guia Supremo por qualquer motivo que lhe convir.

Temos então um país corrupto, comandado por fanáticos, e atualmente desenvolvendo armamento nuclear que está em constante conflito com outras nações por seja lá qual interpretação do Corão lhes for conveniente. Acham isso assutador? A história de terror não começou ainda. Vamos analisar as condições que favorecem a ascenção de um estado Teocrático.

– Governo Corrupto
-Dispariedade das classes sociais

– Baixo índice de educação

-Alto número de pessoas abaixo da linha de pobreza

-E por último mas não menos importante, crescente fanatismo religioso.

Parece familiar?

torcida brasileira

Eu realmente estou tentando ser discreto aqui.

Não, estou sendo paranóico, com certeza nosso Brasil querido do coração, terra do carnaval nunca…
bancada-evangelica
Teria…

Algo…
jesuscracia
Assim…?

Merda…

Sim, sejamos honestos agora, o Brasil corre um risco muito real de se tornar um estado teocrático nos próximos 20 anos. Ou até menos, a mais recente PEC 99/11 (proposta pelo Deputado Federal Jõao Campos (PSDB-GO), anotem o nome dessa alma querida) que pretende dar capacidade a organizações religiosas de propor ações de constitucionalidade e inconstitucionalidade, isso é simplesmente a maior agressão ao já, convenhamos, frágil estado laico do Brasil. Acham nossa constituição uma piada agora? (ela é), espere até seus adendos serem propostos a gritos de aleluia, glória a Deus… Para dar proporção ao problema, segue uma lista dos pouquíssimos cargos com acesso a tal poder.

I – o Presidente da República;

II – a Mesa do Senado Federal;

III – a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;

V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal;

VI – o Procurador-Geral da República;

VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VIII – partido político com representação no Congresso Nacional;

IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.”

Esse é apenas o golpe mais grave, a bancada evangélica toma cada vez mais conta dos cargos no nosso querido plano piloto. E eles possuem todo o carisma e manobra dos Aiatolás no Irã, senão mais, nunca ouvi falar de nenhum Aiatolá pedindo a senha do cartão de crédito de um fiel na cara dura como fazem os pastores evangélicos aqui, é a famosa malandragem brasileira elevada à décima potência.
Todos sabem da polêmica do pastor Marco Feliciano(PSC) ocupando seu cargo na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, com frases de efeito como “eu fico pela família brasileira”, bonitinho de escutar, mas nem vou entrar no mérito da validade deste argumento, mas em que diabos de lógica a “família brasileira” se encaixa como minoria? Argumentem o quanto quiser sobre a validade das opiniões do pastor (haha) mas o fato final é que sua presença no cargo é tão ridícula quanto colocar o deputado Jean Wyllis(PSOL-RJ) na comissão de Assunto Religiosos.

jean-wyllys-

ALELUIA! GLÓRIADEUS!!!!

Toda e qualquer tentativa, por menor que seja, de nivelar o campo para o estado laico,  é encontrada com desdém até pelo fiel menos fanático. Presenciamos situações assim quando tentaram retirar os símbolos religiosos do real (perda de tempo), das câmaras de deputados (boa sorte) e até mesmo das capelas dos hospitais. Fato é, o católico e talvez mais o evangélico tende a ser muito possessivo quanto aos assuntos de espiritualidade, vocês acham que eles vão dividir o espaço da capelinha com Exu se nem um ambiente neutro, de reflexão e deposto de simbologia eles aceitam?

Tentei manter um ar mais despojado durante o texto, mas não haverá revolução ou alarde como ocorreu no Irã, esse não é o modo de vida brasileiro, a mudança se dará aos poucos. Como está acontecendo agora, se essa PEC não passar agora, você acha que a bancada Evangélica vai desistir? Em quanto tempo vocês acham que teremos um pastor como Presidente da República? O resto da alcatéia de lobos do planalto já está farejando o lucro em ser crente, em quanto tempo eles serão maioria esmagadora? Teremos uma segunda reação militar quando oferecermos o pouco de resistência típica do brasileiro? Sabemos como os militares acham que estavam corretíssimos na primeira vez e que provavelmente estão doidinhos para um “1964 – parte dois: A vingança do Positivismo.” Posso estar louco e nada disso acontecer, e realmente espero que este seja o caso, mas então aquele velho pensamento passa pela mente, aquele curto, maldito e assustador pensamento…

E se…

Ensaio sobre a desilusão

Foto de Carlo Barros.

Foto de Carlo Barros.

A desilusão é melhor forma de conhecer a verdade nos dias de hoje. Não importa o quão sincera uma pessoa possa ser, agir ou aparentar, a desilusão vem para derrubar a máscara quando tu menos espera. Lembro de quando era criança, e me perdia nos desenhos que passavam na TV que relatava a chegada do outono, onde a gurizada corria euforicamente para se atirar cima de montes de folha caídas das árvores, brincando e nadando por elas. “Deve ser divertido”, imaginei. Quando chegou o outono, fui para o pátio de minha casa e a primeira desilusão que tive foi o fato das folhas não serem grandes, dando a sensação de serem  facilmente amassadas pelo meu peso. A segunda desilusão foi não ter juntado um monte alto bastante como era possível na TV, mas mesmo assim decidi pular, o que levou a terceira e dolorosa desilusão.

Quando adolescente, tinha a impressão de que tudo tinha duas faces, a de ser conveniente e a de ser você mesmo, engraçado como só meus amigos me mostravam a segunda, e como eu me sentia confortável compartilhando a minha com eles. Mas o mundo vestia uma máscara, e eu tinha que dançar conforme a música.
“Chega de desilusões!”, lia pelas redes sociais, entre mensagens pessoais no Messenger, depois em frases de “Quem sou eu” no Orkut e por ultimo atualizações no Facebook, como se o fim de uma ilusão fosse o momento em que acabasse o efeito de um anti-depressivo.
Aos 20 anos, sinto-me saturado de desilusões e decepções, criadas pela minha superestimação de pessoas e atitudes, esperando demais dos outros e pouco de mim, por tudo que já passei até pareço um velho de 70 anos resmungado que já vi de tudo nessa vida e que nada mais me engana.
Que ilusão!