Olhos vermelhos

– Aqueles olhos vermelhos, em meio aquela escuridão, é tudo que eu consigo lembrar dele. Não sou de ficar acordado até tarde, mas naquela noite sentia que alguma coisa me atraía para dentro do bosque. O vento agitava as árvores, que tentavam fugir do campo e a lua pouco iluminava entre as nuvens. Não parecia uma boa ideia ir lá, mas acho que você me entende, morar “pra fora” pode ser muito entediante.

– Poderia me descrever o que você sentiu ao entrar no bosque?

– Senti que devia voltar para casa, mas um uivo me chamou atenção, fazendo-me mergulhar mato a dentro. Era diferente de qualquer som que um lobo pudesse emitir, era grave e ecoava pelas árvores, podia ter vindo de qualquer lugar. Segurei minha espingarda com força enquanto andava. Os uivos se tornavam frequente a medida que eu caminhava, olhei para cima e não consegui enxergar o céu que estava coberto de galhos e folhas, estava perdido em um labirinto.

– Um arbusto se mexeu de forma brusca, estava muito escuro para ter uma precisão de onde exatamente, então rapidamente, puxei o gatilho e atirei para onde minha audição me guiava, me arrependi na hora de ter ido àquele lugar. Os olhos vermelhos saiam do arbusto, e foram subindo até perceber que a criatura era mais alta que eu. Quando fui atirar novamente, arrancou-me a espingarda com uma patada e jogou-me contra uma árvore em questão de instantes.

– A besta partiu em minha direção, deixando um rastro de sangue do seu abdômen, rolei para a minha esquerda fazendo sua boca morder o tronco da árvore. Corri como um louco pela madrugada, os uivos de desespero me perseguiam e aumentavam a cada instante. Cheguei em uma parte do bosque em que o céu era visível e a lua me encarava palidamente antes de ser coberta por nuvens.

– Foi quando você viu ele se transformar em um humano?

– Exato, era um homem como eu e você, fiquei completamente sem reação, enquanto ele tentava cobrir o rosto, correndo desesperadamente. De algum modo consegui sair de lá e encontrar a sua casa, mas os uivos me acompanharam até aqui.

– Que bom que moramos perto, não? Realmente, é uma história e tanto.

– Com certeza, graças a Deus e a você que estou vivo!

Naquele momento, tirei um terço do meu bolso e beijei-o esboçando um leve sorriso de alivio, notei que seu rosto mudou de expressão rapidamente. Aquele homem olhava de forma repulsiva, coçando seu abdômen. Guardei-o rapidamente.

– Belo terço, é de prata? – Dizia fitando a janela, mais precisamente a lua cheia, que se despia das nuvens lentamente.

– Sim, por quê?

– Sou alérgico a prata.

*Nota do autor: Estou sem internet, portanto, haverá irregularidades durante esta semana.

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