Slackline

Slackline.

Slackline.

Subiu na fita mais uma vez e olhou fixamente para o outro lado enquanto todas as distrações desapareciam, o coração de Matheus havia silenciado e oscilava tranquilamente com o seu balanço. Seus passos estavam em sincronia com a sua respiração, os braços se tornaram o vento que o levava cada vez mais para frente, ninguém soube dizer se existia medo em seus pensamentos, porque ele seguia atravessando a ponta de um penhasco para outro enquanto todo mundo estava calado, Matheus estava dominando a mente com o seu equilíbrio.
Sentou-se no meio da fita e admirou a vista periférica que parecia de outro plano, Matheus cruzaria para outro mundo e ninguém, nem mesmo ele, percebia sua conquista. Estar no outro lado era tudo que passava por sua cabeça, mas seu corpo aproveitava cada segundo deste desafio, ele sentia que seu lugar era ali, acima de tudo e de todos, vendo a vida em seu estado mais simples e leviano.
Matheus se levantou como um gato, e terminou de cruzar a linha tão lentamente que parecia ter sido levado por uma corrente de ar, quando se virou para nós, seus olhos fitavam a todos como se tivesse voltado de uma longa viagem, não reconheciamos ele, e nem ele se reconhecia mais, seu antigo “eu” havia ficado no início fita, talvez com medo e cheio de distrações, dando espaço para alguém que se mostrava raramente com seus amigos, alguém mais desperto e consciente que admirava a paisagem desértica chamando-nos para o outro lado do penhasco, ou para o outro lado da vida.
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